quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Agropecuária Brasileira

Produção agropecuária brasileira




Nos últimos 20 anos, a agropecuária brasileira passou por grandes transformações. Foi nesse período que o setor recebeu uma elevada capitalização e significativos investimentos em tecnologia. Entretanto, o Brasil continua sendo um país onde os recursos modernos coexistem com uma realidade de produção arcaica e baixa produtividade.







Antigamente, para o exterior, o Brasil possuía uma péssima imagem em termos de economia. Apresentava uma agricultura definitivamente fraca, que produzia uma limitada pauta de itens. Ocorriam também frequentes crises de preços internacionais no decorrer do século passado, o que prejudicava ainda mais a economia brasileira.

Parece ser impossível acreditar em tudo isso quando falamos de um país que tinha uma das maiores áreas agricultáveis do mundo, além de contar com climas estáveis, em boas condições. Mas são fatos verídicos. Por muito tempo, a agricultura brasileira continuou sendo caracterizada pelo baixo investimento técnico e tecnológico, o que não possibilitava o aumento da produtividade das terras cultivadas. Em março de 2005, o faturamento do setor agropecuário brasileiro apresentou diminuição de 13,6% em relação ao mesmo período de 2004. A redução dos valores da safra de grãos e de outros produtos agrícolas desencadeou uma queda no valor total da produção agropecuária brasileira, de R$ 196,7 bilhões em março de 2004 para R$ 169,9 bilhões em março de 2005.

Se levássemos em conta a produção total e a extensa área territorial, o Brasil poderia ser considerado um país de grande potencial, com uma produção total apenas razoável. Contudo, havia uma significativa falta de informação dos agricultores, além do problema da baixa produtividade, um grande fator prejudicial à agricultura brasileira.

O vídeo abaixo mostra o problema do aquecimento global, outro fator que pode danificar drasticamente a agropecuária do Brasil.





Modernização de culturas comerciais



De tempos em tempos, tudo muda. E isso aconteceu também com a agropecuária brasileira, que a partir da década de 1970, passou por grandes transformações, com destaque para a pesquisa no âmbito da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA.
 
Este órgão, assim como outros centros universitários de pesquisa agrícola, pesquisou e difundiu milhares de novos cultivares, desenvolvidos de acordo com o clima e solo específicos de todas as regiões agrícolas do Brasil, e divulgou novas técnicas agropecuárias. Essa disseminação de informações dadas pela EMBRAPA, no Brasil, colaborou para um bom desenvolvimento dos modelos agrícolas já existentes, sendo estes, a difusão de novas variedades e manejos de plantas frutíferas; o melhoramento genético do gado criado no Centro-Oeste; e até mesmo o desenvolvimento de sementes de soja e de trigo adaptadas ao clima e ao solo do Cerrado.

Além disso, a indústria de implementos agrícolas também se desenvolveu, criando novas máquinas, equipamentos, pesticidas e fertilizantes. O nível técnico das pessoas relacionadas à área, como pesquisadores, técnicos agrícolas, trabalhadores, gestores de negócios agrários e os proprietários rurais, também melhorou. Houve também a incorporação de milhões de habitantes de países em desenvolvimento no comércio global, em um processo em que uma parcela expressiva da população humana saiu da pobreza e passou a ter acesso a alimentos mais diversificados. Este último processo, ganhou força somente no início do século XXI.

Atualmente, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, “o Brasil é um dos líderes mundiais na produção e exportação de vários produtos agropecuários [...]”. Além disso, é também o primeiro produtor e exportador de café, açúcar, álcool e sucos de frutas, e está entre os líderes do ranking das vendas externas de soja, carne bovina, carne de frango, tabaco, couro e calçados de couro.

Esse significativo desenvolvimento, foi conquistado pelo Brasil nos últimos anos, tornando este, um dos poucos países a conquistarem tamanha evolução tecnológica mantendo a mesma tropicalidade. Assim, o que antes era considerado um obstáculo à eficiência da produção, passou a ser reconhecido internacionalmente como uma “vantagem natural”, um trunfo do Brasil em termos comparativos.


8 comentários:

  1. Oi, Gioanne!!
    Seu texto está muito bem escrito e adorei o vídeo...ambos estão riquíssimos de informações importantes.

    De fato, estamos produzindo muito. O nosso espaço agrícola está mais organizado e foi melhor ocupado, a ocupação do cerrado, considerado por muito tempo como uma área pobre, contribuiu substacialmente para o aumento da nossa produção.
    Mas, o problema do latifúndio e da monocultura ainda nos persegue porque o grande objetivo é a exportação. Enquanto isso, os pequenos agricultores penam para conseguir espaço num país onde a grande prioridade é para os grandes produtores.
    Durante o governo Lula, falaram muito de agricultura familiar. Pesquise sobre este termo e suas dificuldades para efetivar-se.

    Abraços!!
    Glhebia

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  2. Realmente, a produção agropecuária tem se modernizado, e como Glhébia enfatizou, muitos agricultores familiares ficam prejudicados, como Isolda disse em sua postagem. A agricultura familiar é responsável por grandes produções de mandioca, milho, aves e algodão, assim como Malena explicitou na sua postagem.

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  3. Oi Glhébia!

    Como sabemos, em termos de concentração de terras, o Brasil é um campeão mundial, apresentando, de acordo ao INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), cerca de 600 milhões de hectares de terra disponíveis para cultivo. Entretanto, quando o assunto é a distribuição de renda, o Brasil se encontra quase em último lugar.
    Com isso, o governo Lula viu a “agricultura familiar” (cultivo da terra realizado por pequenos proprietários rurais), como uma ação estruturante do seu modelo de desenvolvimento, e o MDA (Ministério de Desenvolvimento Agrário), a tem como prioridade, com o objetivo de reduzir o número de agricultores que perdem as suas terras. Contudo, muitas dificuldades surgiram para impedir a implantação dessa medida, como a falta de investimentos em assistência técnica, além de dificuldades para disponibilizar o crédito agrícola e a falta de uma estrutura de comercialização que permitisse aos agricultores uma maior independência das grandes empresas que dominam o complexo agroindustrial. Essa problemática foi considerada como um ponto de partida para o desenvolvimento do MST, que está claramente definido na postagem do nosso colega Thúlio como uma “luta pela conquista da propriedade fundiária” dos sem-terra.
    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou em janeiro de 2010 a Lei de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) que tem por objetivo regulamentar o auxílio técnico para a agricultura familiar em todo país, pois, até então, os agricultores familiares não tinham uma política nacional que garantisse esse atendimento.
    Apesar de haver inúmeras dificuldades para o desenvolvimento da agricultura familiar, é a primeira vez na história que um governo brasileiro reconhece a legalidade das ocupações de terra e sua contribuição para a implementação da reforma agrária. A verdade é que o Brasil continua crescendo e desenvolvendo a sua agricultura, mesmo que esse crescimento se dê a curtos passos.

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  4. Oi, Giovanne!!

    Sua contribuição foi importantíssima!! Percebi que vc pesquisou sobre o assunto. O nosso objetivo é justamente este, alçar voos em busca de novos espaços de aprendizagem.

    No que se refere ao assunto, a política de créditos agrícolas desenvolvida, tem o propósito de trazer inúmeros benefícios ao pequeno agricultor, mas na prática o projeto não acontece como o projeto prevê.

    Um dia desses fiquei sabendo, que para conseguir o crédito agrícola, muitas pessoas tem usado da má fé, dando pouca atenção para a pequena lavoura, até que esta não se desenvolva, o agricultor vai então ao banco e faz o pedido do recurso, alegando que a lavoura não se desenvolveu. Isto é lamentável.

    Abrçs!!

    Glhebia

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  5. Oi Glhébia e Giovanne,

    Achei interessante a política de créditos agrícolas e a questão da dificuldade enfrentada pelos pequenos agricultores para obtê-lo e resolvi pesquisar a respeito.
    E através das pesquisas encontrei fontes que explicavam o fato desse problema de acesso ao crédito por parte do pequeno agricultor ter se tornado grave, em parte, pelo maior imperativo da adoção de tecnologia poupadora de mão-de-obra, devido à política trabalhista. Não fora essa política trabalhista agrícola, o acesso ao crédito não se tornaria tão fundamental na agricultura, já que esse setor não seria forçado a adotar tecnologia intensiva em capital e poupadora de mão-de-obra de qualificação específica agrícola. Assim, teria havido maior desenvolvimento da agricultura familiar, paralelamente à maior absorção de mão-de-obra assalariada, tanto a temporária quanto a fixa.

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  6. Oi giovanne!

    Gostei da sua postagem,achei muito interressante. Mas em releção a agricultura familia , queria ressaltar a seguinte questão: Cerca de 60% dos alimentos consumidos pela população brasileira são produzidos por agricultores familiares, mas eles enfrentam grandes dificuldades ,como por exemplo, a questão da prioridade, onde a maior parte é para os grandes produtores e também a concentração de terras nas mãos de poucos. Pesquisas constataram que maior parte dos alimentos cultiváveis em pequenas propriedades sofreram redução na produção , por ai percebemos que os pequenos agricultores acabam sofrendo com isso por conta das pequenas propiedades que possuem.

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  7. Olá!

    Os principais sistemas que coexistem na organização do espaço rural/agropecuário brasileiro são:

    * Agropecuária moderna e integrada a um complexo agroindustrial;
    * Agropecuária voltada para o autoconsumo e mal integrada aos circuitos comerciais (região Nordeste e parte da Centro-Oeste);
    * Zonas pioneiras ainda em processo de incorporação.
    Esse desempenho faz do Brasil o maior produtor mundial de vários itens como os conceituados por Malena em sua postagem: suco de laranja, açúcar, café e feijão. Na pecuária o Brasil é o maior exportador de carne bovina e de frango. O país é grande produtor e exportador de carne suína, de milho e de soja e seus derivados.
    Por isso que nos últimos dez anos, a participação da agropecuária no total de exportações subiu de 2,82% para 14,87% e colocou o Brasil entre os cinco principais exportadores de alimentos do planeta.

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  8. É importante ressaltar que apesar dos bons resultados apresen­tados nos últimos anos, a agropecuária brasileira terá de enfrentar sérios desafios para manter a escalada produtiva. Inter­namente, há falta de silos para armazenar os grãos após a colheita, além das difi­culdades de transporte (estradas ruins) e da falta de portos secos, locais para ar­mazenar produtos antes do embarque ao exterior. A ampliação das plantações de soja e cana também sofre limitações para preservar as matas nativas. No mercado externo, o Brasil tenta emplacar o etanol como commodity, ou seja, torná-lo uma mercadoria negociada nas bolsas interna­cionais, com regras padronizadas, o que poderia ampliar as exportações.

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