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O debate sobre a produção dos bicombustíveis tem ocupado espaço no cenário mundial. No Brasil utilizamos o etanol, produto derivado da cana de açúcar. Nos Estados Unidos, há um produto similar baseado no álcool gerado do milho.
O milho e a cana-de- açúcar constituem duas matérias-primas que movem as indústrias mais representativas de etanol no mundo. Contudo, enquanto no Brasil, a cana-de-açúcar não concorre com os alimentos, os carros flex (que podem ser movidos à gasolina ou álcool) já representam 20% da frota brasileira de veículos leves. Nos Estados Unidos a produção do combustível é polêmica. O cultivo de milho requer grandes quantidades de herbicidas e fertilizantes à base de nitrogênio e pode provocar mais erosão no solo do que qualquer outra cultura agrícola. A própria produção de etanol de milho consome uma quantidade considerável de combustível fóssil - justamente o que ele vem substituir.Dentre as várias polêmicas, citamos a preocupação dos ambientalistas. Estes temem que o aumento dos preços deste produto acabe levando os agricultores a cultivar milhões de hectares de terras secundárias atualmente reservadas para a recuperação do solo e a conservação da fauna selvagem, potencialmente liberando ainda mais dióxido de carbono retido nos campos incultos.
Vale salientar que a pressão mundial para que os países desenvolvidos se comprometam com a redução de emissão de gases poluentes e invistam em energia renovável, tem instigado os países do primeiro mundo a encontrarem alternativas para os problemas ambientais, contudo as polemicas geradas comprovam que o etanol do milho, não tem se configurado como uma solução eficiente para a população.
Por fim, vale ressaltar que estudos comparativos têm evidenciado que o lucro energético gerado pelo etanol de cana é quase oito vezes superior ao gerado pelo etanol de milho. Segundo pesquisas, a vantagem do modelo brasileiro é que o processo de fermentação é feito a partir do bagaço da cana. Ao passo que a fermentação do etanol de milho depende muito do gás, o que torna necessário usar uma quantidade muito maior de energia.
Assim, podemos concluir que apesar de o Brasil ainda ser considerado um país de terceiro mundo, quando comparado aos Estados Unidos, (grande potencia) a produção do Etanol da cana-de-açúcar tem superado as expectativas econômica da população brasileira, bem como garantido a superação da qualidade do etanol oferecida do derivado do milho, nos Estados Unidos.
OI, Fábio!!
ResponderExcluirRealmente esta questão dos biocombustíveis é muito polêmica. Mas o que me angustia é quando se afirma que os biocombustíveis são fontes de energias limpas, o que não é verdade. Faça uma relação entre a produção do etanol com a monocultura latifundiária da cana-de-açúcar aqui no Brasil.
Aguardo retorno.
OI,Gelhebia!!
ResponderExcluirConcordo com você quando afirma que os bicombustíveis não são fontes de energias limpas. Contudo, vale considerar que estudos afirmam que a plantação de cana-de-açúcar retira boa parte do gás que provoca o efeito estufa no planeta ( que pode se emitido pelo o etanol brasileiro tanto na fabricação quanto no consumo... Apesar de polemico tem aspectos positivos)
E respondendo a sua outra pergunta sobre a produção do etanol com a monocultura latifundiária da cana-de-açúcar aqui no Brasil , e preciso lembrar que desde o início da história brasileira a economia do país dependeu da cana de açúcar. Lembrando que a exploração da terra se deu pela exploração da madeira ( pau Brasil) o cultivo da cana de açúcar, a agropecuária, etc. Sempre por meio da exploração e incentivo à manutenção de grandes latifúndios.
Contudo, o Brasil de hoje pode ser considerado evoluído, por isso a volta da monocultura da cana de açúcar é um retrocesso no modelo de desenvolvimento brasileiro.
Tenho que realmente concordar que o etanol da cana de açúcar é bem superior ao etanol do milho.
ResponderExcluirPelo visto os EUA ao invés de solucionar de vez a poluição atmosférica excessiva, está tentando utilizar-se de uma medida paliativa diante ao atual consumo do petróleo, fato que não queremos que aconteça.
Bom texto Fabão!
ResponderExcluirÉ, nisso o Brasil realmente foi superior aos EUA. Bom, resta saber de uma coisa: não podemos esqueçer que os EUA foram contra a redução da emissão de gases no Protocolo de Kyoto, pois afetaria o crescimento econômico. Será que, utilizando o milho para a fabricação de etanol, o país está realmente interessando e esforçando-se para reduzir a emissão de gases estufa, ou está apenas nos enganando, adotando uma medida paleativa para evitar pressões de organizações e passar despercebido no que se refere a questão de emissão de gases?
O que podemos ver hoje, pelo menos em alguns aspectos, é que há uma preocupação maior por parte dos países considerados de terceiro mundo em relação à essa questão. Os países de primeiro mundo relutam em abrir mão de um maior crescimento em função de redução de emissão de gases.
Outra coisa que chama a atenção são os números. O etanol, nos EUA, existe sim, não obstante foram produzidos 6.498,6 milhões de galões desse combustível. Mas a população, que é quem vai colocar em prática o uso de etanol, quase não tem acesso, uma vez que apenas 1% dos postos de combustíveis do país vendem o etanol. No mercado da gasolina, o etanol norte-americanos tem míseros 4% de participação, apesar dos 10 milhões de hectares de área plantada. O Brasil dá, mais uma vez, exemplo: são 100% dos postos vendendo etanol e 50% de participação no mercado
Realmente Fábio opinou muito bem. Confesso que me surpreendeu!
ResponderExcluirMas o que seriam os biocombustíveis? São materiais biológicos que, quando em combustão, possuem a capacidade de gerar energia para realizar trabalhos. É certo que praticamente todo material biológico gera energia, a fruta que comemos, a planta que queima. Mas aqui vou me concentrar naqueles com potencial combustível de interesse econômico - a energia para queimar é inferior à energia que gera posteriormente - e suas conseqüências como, por exemplo, à inflação dos alimentos.
Biocombustíveis X Alimentos
Cresce no mundo a disputa em torno dos biocombustíveis e as dúvidas sobre suas vantagens e desvantagens. De um lado, organismos internacionais como FMI e ONU, alertando para o aumento da fome no mundo provocado pela inflação dos alimentos, inflação esta, segundo o FMI, causada pelo aumento da procura por grãos para produção do etanol, o álcool que move os automóveis.
É fato que os biocombustíveis, entre eles o etanol e o biodiesel brasileiros, são fonte de energia mais limpa, com capacidade de renovação e economicamente mais viáveis. No entanto, é preciso achar um meio-termo para a sua produção e, assim, amenizar essa polêmica.
Lula tem razão quando diz que o etanol brasileiro, por exemplo, não pressiona o preço dos alimentos, pois é feito a partir da cana-de-açúcar e não de milho, e que o biodiesel é produzido com óleo extraído de mamona e não da soja. Mas esta é só meia verdade. O fato é que, se o negócio da cana ou da mamona se tornar muito atrativo, certamente haverá uma guinada dos produtores agrícolas em direção a estes cultivos. Ou seja, quem planta milho e soja no Brasil poderá trocar de cultura, reduzindo a produção dos grãos e pressionando seus preços.
Abraços!
Oi, fabio.
ResponderExcluirBela argumentação. mas podemos concluir que A decisão de produzir etanol a partir da cana-de-açúcar por via fermentativa foi por causa da baixa nos preços do açúcar na época. Foram testadas outras alternativas de fonte de matéria-prima, como por exemplo a mandioca.
A produção de álcool no Brasil no período de 1975-76 foi de 600 milhões de litros; no período de 1979-80 foi de 3,4 bilhões e de 1986-87 chegou ao auge, com 12,3 bilhões de litros.
Com a substituição do combustível, os automóveis precisaram passar por alterações. Como exemplo, os tubos tiveram seu material substituído; o calibre do percurso de combustível teve de ser aumentado; por causa do poder calorífico menor do álcool, foi necessário instalar injeção auxiliar a gasolina para partida a frio; o carburador teve de ser feito com material anticorrosivo, assim como a bomba de combustível, que passou a ser composta de cádmio.
Teoricamente, os biocombustíveis são mais amigáveis para o meio ambiente porque sua matéria-prima é renovável. Porém, como Glhebia colocou, o processamento do biocombustível pode ser tão poluidor como o combustível fóssil, dependendo de como é feito. Entretanto, estudos britânicos revelam que a redução de emissões dos biocombustíveis é de 50% a 60% menor que os combustíveis a base de petróleo.
ResponderExcluirA grande controvérsia é que o estímulo ao uso de biocombustíveis pode ter um impacto negativo na agricultura e no preço dos alimentos no mundo todo.
Na prática, o lado escuro dessa revolução do biocombustível é difícil de se negar. O estudo do ISPN aponta que São Paulo é o líder na conversão de matas em canaviais (com 86 mil hectares desmatados), seguido por Minas Gerais (com 25 mil), Goiás (com 13 mil), Mato Grosso (12 mil) e Mato Grosso do Sul (6 mil hectares). O estudo aponta ainda que 60,5% do desmatamento em áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade no cerrado ocorreu no Estado de São Paulo, o maior produtor de açúcar e álcool do país. O fato é que questões como essa são urgentes, para pavimentar o futuro de um mundo com menos petróleo e cada vez mais bocas para alimentar.