quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O outro lado da moeda: falta de infraestrutura e pobreza

     Normalmente, o tema infraestrutura está relacionado à Economia pelo fato da falta de infraestrutura de transportes ainda ser um dos obstáculos para o desenvolvimento agropecuário do país, pois faltam estradas em boas condições, ferrovias, armazéns para estocar a produção. Embora, nesse contexto, vamos abordar o outro lado da agropecuária brasileira, a falta de infraestrutura social e a pobreza rural do Brasil.





  • Condições de trabalho precárias no campo
_ Peonagem: forma de trabalho forçado mais encontrado no Brasil. É uma reedição da “escravidão por dívida” que existiu nas fazendas de café do Brasil no século XIX, quando os imigrantes recém-chegados da Europa eram obrigados a pagar, em trabalho, pelo custo de transporte para o Brasil e/ou pela alimentação e alojamento nas fazendas.
No Brasil atual, os trabalhadores, geralmente carentes e sem perspectivas, aceitam trabalhos braçais temporários. Os aliciadores, chamados de “gatos”, contratam os jovens e os levam para fazendas distantes e sem comunicação. As promessas de boa remuneração não são cumpridas e caso tentem abandonar a fazenda, os trabalhadores são ameaçados. 

  • Conseqüências do avanço do agronegócio no campo
_ Boias-frias: trabalhadores rurais diaristas, ou remunerados por produção. Empregam-se por temporada, na maioria das vezes sem direitos trabalhistas. Por extensão, trabalhadores da construção civil. O nome “bóia-fria” resulta da necessidade desses trabalhadores se alimentarem em meio à colheita, sem contarem com instalações adequadas para prepararem a comida.

_ Posseiros: denominação da pessoa que ocupa um determinado trecho de terra sem autorização do proprietário e que dali tira seu sustento pelo trabalho agrícola ou, em áreas urbanas, apenas fixa moradia.




Modalidades como essas, são decorrentes:
  1. da falta de perspectivas por uma vida melhor;
  2. da localização remota das fazendas;
  3. da seca;
  4. da falta de terra para plantio;
  5. altos juros;
  6. ausência de incentivos. 
  7.  
    As dificuldades da agricultura familiar
      
     Problemas gerais:
    _ Problemas do fórum íntimo
    • Baixo índice de escolaridade;
    • Baixa autoestima.
    _ De fórum externo
    • Acesso, Saúde, Educação;
    • Saneamento básico;
    • Eletrificação rural;
    • Filosofia de ensino.

    Problemas por região:
    _ Região Norte
    • Comercialização pela distância dos mercados consumidores;
    • Esgotamento da terra.
    _ Região Nordeste
    • Minifúndios invariáveis economicamente.
    _ Região Sudeste
    • Exigência em qualidade e saudabilidade dos produtos por parte dos consumidores.
    _ Região Sul
    • Concorrência externa de produtos do Mercosul.
    ­_ Região Centro-oeste
    •  O processo de modernização agrícola;
    • Ocupação das terras do cerrado.

    Por que fortalecer a agricultura familiar?
    _Porque ela é responsável:
    • 10% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional;
    • 26% do rebanho bovino;
    • 37% de arroz;
    • 40% das aves e ovos;
    • 66% do algodão;
    • 69% do milho;
    • 87% da mandioca;
    • Emprega cerca de 14 milhões de trabalhadores.



      9 comentários:

      1. É um absurdo em pleno século XXI ainda existirem formas de trabalho sub humanas como a Peonagem. O lugar destinado à moradia dos trabalhadores são precários e perigosos, a água consumida por eles não é tratada e seus alimentos preparados em ambientes imundos. Infelizmente se tornam escravos dos patrões por não conseguirem pagar pelos mantimentos e ferramentas compradas na própria fazenda.

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      2. Como disse Malena, é inaceitável escravidão em pleno século XXI, e deve ter merecida atenção pelos governantes.
        A agricultura familiar é muito importante, e corre sérios riscos, já que o governo não dá a merecida assistência aos pequenos produtores.Não é por nada, mas os produtos produzidos na "roça", cuidados um a um realmente deveriam ter mais valor, pois são de excelente qualidade.

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      3. Oi, Isolda, Malena e Thúlio!!

        De fato, o trabalho escravo não acabou definitivamente no século XIX. Este é ainda um dos grandes problemas em países subdesenvolvidos, como o Brasil. O que é mais lamentável ainda é saber que os nossos produtos agrícolas estão cada vez mais se destacando no cenário mundial. É um verdadeiro paradoxo.

        Como Isolda falou sobre peonagem, bóias frias e posseiros, senti falta de um breve comentário sobre o problemas que envolve os grileiros também.
        Aguardo retorno.
        Glhebia

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      4. Como foi colocado por todos, o trabalho escravo, apesar de ter sido "abolido", ainda é um desafio a ser vencido. E ao ler um pouco mais sobre esse assunto resolvi compartilhar com vocês algumas informações bastante interessantes:
        Mais de 27 milhões de pessoas , em todo o mundo, são compradas e vendidas, exploradas e brutalizadas para dar lucro, são os escravos do século XXI. Cerca dos dois terços dos trabalhadores cativos de todo o mundo – 15 a 20 milhões – são escravos por dívidas na Índia, no Paquistão, no Bangladesh e no Nepal. Embora custe a acreditar, a escravatura não deixou de existir. Mais incrível ainda é o facto de centenas de milhões de pessoas levarem vidas pouco livres, com um nível de oportunidades pouco superior ao dos escravos. Muitas vezes, os mais pobres sacrificam a sua dignidade, os seus filhos, e até os seus corpos, a um mercado global ávido de LUCRO DESUMANO.

        Já no caso dos grileiros, como estes tem uma ligação muito forte com os posseiros, achei interessante fazer uma comparação entre os dois:
        O posseiro é o primeiro a ocupar, isto é, a tomar a posse da terra. Uma terra que geralmente não tem dono nem documentação, ou, se pertence a alguém, está abandonada e sem uso produtivo. O posseiro chega, abre uma clareira, faz sua casa de pau a pique ou de madeira que tira da mata e começa a cultivar a terra. Em certos casos, a terra ocupada está nos limites de uma reserva indígena.

        Já o grileiro é aquele que invade a terra do posseiro, pessoalmente ou por meio de capangas ou assistido por advogados. Como os posseiros não têm documentação que ateste sua propriedade sobre a terra, os grileiros utilizam-se de diversos artifícios para se apossar dela: se o posseiro resiste a deixar a terra, o grileiro pode oferecer-lhe dinheiro ou obriga-lo a sair por meio da violência. Este nome deve-se ao fato de guardar os documentos falsificados em gavetas repletas de grilos, responsáveis por dar ao documento uma aparência de "envelhecido" ou "original".

        Nas últimas décadas do século XX, surgiu um novo tipo de grileiro, principalmente na região amazônica. Não se trata mais do fazendeiro, mas de grandes empresas nacionais e internacionais. Essas empresas tornaram-se donas de grandes extensões de terras, que foram compradas por preços baixos e, às vezes, com incentivos do governo.

        Elas se instalam para explorar madeira ou criar gado. Geralmente contratam funcionários para derrubar a floresta, matar animais, expulsar seringueiros, castanheiros, posseiros e a população indígena.

        Se necessário, algumas chegam a mandar assassinar os que resistem principalmente seus líderes, seja trabalhadores, seja padres, advogados ou políticos. Entre esses casos de assassinatos está o da missionária norte-americana, naturalizada brasileira, Doroty Stang, de 73 anos, que foi assassinada em Anapu, no Pará.

        Espero que tenham gostado!
        Beijos!

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      5. Parabéns pelos esquemas sô!!

        Percebe-se que a agricultura familiar é muito importante em nosso país, sem, é claro, diminuir a importância também do agronegócio. O fato é que ambos os modelos impactam, um sobre o outros, ambos se impedem de avançar e desenvolver, porque se acolhermos uma agricultura familiar, vamos complicar a atuação do agronegócio, e vice-versa. É preciso que esses dois modelos não se afastem, como acontece hoje, e sim que eles se complementem, que um seja necessário ao outro.

        No que se diz respeito à infraestrutura, pode ser explicada com aspectos históricos, pois tais situações mostradas pelo texto que se encontram hoje no país tem herança histórica, e alguns problemas agravam ainda mais elas.
        A corrupção, a burocracia, a má administração, a falta de uma reforma agrária são exemplos desses problemas. O concerto deles poderia melhorar a vida social do camponês, ao passo que uma melhor renda colocaria fim, aos poucos, à peonagem que tanto se vê por nossos sertões.
        O cumprimento e dura fiscalização de uma constituição que assistisse aos trabalhadores rurais, levaria a tais melhores condições de trabalho, o que se faz muito necessário. E uma distribuição igualitária de terras colocaria um fim aos posseiros, pois não seria mais necessário sua existência, evitando assim a morte de muitos deles por grandes fazendeiros

        Faz-se necessário também um crescimento infraestrutursl e tecnológico, como mostra Isolda, para que nossos produtos sejam competitivos, e que o lucro adquirido com tais produtos tenham o tão desejado retorno àqueles que mais precisam.
        É uma forma de desenvolver os nossos campos.

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      6. Oi, Isolda!
        A relação que vc desenvolveu entre posseiros e grileiros foi excelente. Agora acredito que ninguém tem mais dúvidas sobre quem é quem.
        Vinícius conseguiu com muito êxito complementar a postagem de Isolda através de uma análise crítica e construtiva.

        Parabéns a todos!!

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      7. A parte da agricultura familiar produtora de mercadorias, bastante mecanizada e que tem uma grande produção, pode se tornar uma roldana importante para a movimentação do agronegócio, já que este é o próprio elo de ligação e envolve também toda a produção agropecuária e transformação/distribuição industrial. Não é à toa que a agricultura familiar garante a segurança alimentar e nutricional da população, além de evocar o aspecto social de redução da pobreza e da relação sustentável com a natureza no processo de desenvolvimento no campo.
        É importante ressaltar ainda que os países que mais prosperaram na agricultura foram aqueles nos quais a atividade teve base familiar e não a patronal, enquanto que os países que dissociaram gestão e trabalho tiveram como resultado social uma imensa desigualdade.

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      8. Ao ler um pouco mais sobre agricultura familiar, encontrei informações interessantes e achei importante compartilhar com vocês como, por exemplo o que afirma o professor e pesquisador da USP Dr. Ariovaldo Umbelino de Oliveira sobre o Agronegócio versus Agricultura Familiar:


        •É um grande mito atribuir à grande propriedade a maior parte da produção do agronegócio, pois a pequena unidade de produção no campo brasileiro, segundo o IBGE, representa 90% dos 4,2 milhões de estabelecimentos agropecuários (31% do total de estabelecimentos e 86,6% dos empregos enquanto a grande propriedade ocupa 0,8% do total e gera 2,5% dos empregos).
        •A maior parte da tecnologia também é usada pelas pequenas unidades de produção.
        •A reforma agrária ampla, geral e massiva é a alternativa para aumentar a produção de alimentos, uma saída para resolver a crise que se abateu sobre os alimentos na atualidade.

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      9. Olá pessoal!

        Lembremo-nos que o Brasil não é um país apenas com falta de infraestrutura para a produção. Ela se mantém inadequada para qualquer atividade, seja esta econômica, social ou cultural. As obras de infraestrutura aqui no nosso país sempre estiveram a cargo do Estado e em períodos de bonança econômica. Foi assim há alguns anos, em 1960 e 1970, com os governos militares, e continuará deste modo se o governo brasileiro não implementar medidas que possam solucionar os problemas dos agricultores familiares e ajudá-los a desenvolver o seu trabalho, já que a agricultura familiar é responsável por 10% do PIB nacional e emprega cerca de 14 milhões de trabalhadores, como Isolda disse na postagem.

        Surgiram algumas medidas, como a adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que sancionou em janeiro de 2010 a Lei de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) que tem por objetivo regulamentar o auxílio técnico para a agricultura familiar em todo país, pois, até então, os agricultores familiares não tinham uma política nacional que garantisse esse atendimento. Contudo, ainda não é o suficiente para que o Brasil cresça ainda mais economicamente, já que a infraestrutura e a pobreza, infelizmente, afetam ainda grande parte dos trabalhadores rurais.

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